Os maiores bancos do país encerraram 2025 com lucros históricos, expansão do crédito e aumento da base de clientes. Itaú, Bradesco e Santander somaram mais de R$ 87 bilhões em lucro no ano. No entanto, esse crescimento não veio acompanhado de valorização do trabalho ou ampliação do atendimento à população. Pelo contrário: o resultado recorde tem sido sustentado por demissões em massa, fechamento de agências e intensificação da pressão sobre os bancários.
O Itaú Unibanco liderou o ranking, com lucro de R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1% em relação a 2024, e ROE de 24,6%. A carteira de crédito chegou a R$ 1,49 trilhão, com forte crescimento em cartões, crédito imobiliário e consignado privado. Mesmo assim, o banco eliminou 3.535 postos de trabalho em um ano e fechou 319 agências, enquanto conquistava 1,8 milhão de novos clientes. O índice de eficiência caiu para 38,8%, o menor da série histórica, evidenciando uma lógica clara: gastar menos com pessoas para lucrar mais.
O Bradesco também apresentou desempenho expressivo, com lucro de R$ 24,6 bilhões, crescimento de 26,1%, ROE de 14,8% e carteira de crédito superior a R$ 1,08 trilhão. Ainda assim, fechou 1.927 postos de trabalho, encerrou 296 agências e mais de 1.098 postos de atendimento. Mesmo com 110,5 milhões de clientes, o banco terminou o ano com menos trabalhadores, ampliando a sobrecarga, as metas abusivas e o adoecimento da categoria.
Já o Santander lucrou R$ 15,6 bilhões em 2025, com crescimento de 12,6%, e registrou o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos. Apesar disso, promoveu o fechamento de 5.985 postos de trabalho, além de encerrar 579 pontos de atendimento. Em apenas um ano, o número de agências físicas caiu de 2.430 para 1.695. A carteira de crédito chegou a R$ 708 bilhões, e as receitas com serviços cobriram 185% das despesas de pessoal, mostrando que dinheiro existe — falta compromisso social.
O padrão se repete nos três bancos: mais clientes por trabalhador, metas cada vez mais agressivas, adoecimento físico e mental, especialmente entre as mulheres, maioria na categoria. A digitalização e a reestruturação interna vêm sendo usadas como justificativa para cortes, mas, na prática, significam precarização do trabalho e piora no atendimento, afetando principalmente idosos, pessoas de baixa renda e moradores de regiões periféricas.
Para o movimento sindical, os números escancaram uma contradição inaceitável. Os lucros crescem exponencialmente, mas são construídos às custas da pressão extrema sobre os bancários e da eliminação de milhares de empregos. Banco não é apenas máquina de lucro: tem responsabilidade social, função pública e compromisso com quem gera seus resultados.
Lucro recorde não pode continuar significando demissão, adoecimento e fechamento de agências. O movimento sindical seguirá mobilizado para cobrar respeito aos trabalhadores, manutenção de empregos, condições dignas de trabalho e um sistema financeiro que sirva à sociedade — e não apenas aos acionistas.