A Campanha Nacional Unificada 2026 começou oficialmente. O Comando Nacional entregou a minuta de reivindicações à Fenaban nesta quarta-feira (24) e a primeira mesa de negociação já tem data marcada: 2 de julho, em São Paulo
Enquanto os cinco maiores bancos do país embolsaram R$ 145 bilhões em lucro em 2025, e só Bradesco, Itaú e Santander já registraram R$ 35 bilhões no primeiro trimestre de 2026, 16% a mais que no mesmo período do ano passado, a categoria bancária foi à mesa entregar sua resposta: chegou a hora de distribuir esses ganhos com quem produz essa riqueza.
Nesta quarta-feira (24), o Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou formalmente a minuta de reivindicações à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), dando início oficial à Campanha Nacional Unificada 2026. O objetivo é renovar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até 1º de setembro, data-base da categoria.
O que a categoria está exigindo
A pauta foi construída de baixo para cima. Mais de 55 mil bancários e bancárias de todo o país participaram da Consulta Nacional, realizada entre abril e maio. Conferências regionais e estaduais completaram o processo. O resultado é uma minuta que reflete as dores reais de quem enfrenta o dia a dia nas agências e no home office.
Os principais eixos são:
Os números que os bancos não querem que você veja
Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional cresceu 114%. Os bancos digitais foram ainda mais agressivos: 2.137% de aumento no lucro no mesmo período.
Do outro lado da mesma moeda: entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam mais de 1.300 agências e eliminaram 14 mil postos de trabalho.
“A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor.” — Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT
“Essa reestruturação está preocupando a categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do emprego. Tudo isso estará em debate nessa campanha nacional”, completou a dirigente.
A voz de 55 mil bancários
A Consulta Nacional 2026 não deixou dúvida sobre as prioridades da categoria:
Cláusulas econômicas: o que mais preocupa:
Cláusulas sociais — o que mais preocupa:
E um dado que precisa ser dito em voz alta:
40% dos bancários usaram medicamentos controlados: antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes nos últimos 12 meses. 72,6% afirmam que o banco onde trabalham impacta negativamente a saúde mental.
Esses números não são estatística fria. São a prova de que a pauta de saúde mental e combate ao assédio moral não é pauta acessória é urgência.
Ultratividade: a blindagem dos seus direitos durante a negociação
O Comando Nacional também exigiu a assinatura de um pré-acordo de ultratividade da CCT. Em linguagem direta: enquanto as negociações estiverem abertas, nenhum direito pode ser retirado. Todas as cláusulas da convenção atual permanecem valendo até a celebração do novo acordo.
“Feitos de esperança, movidos pela luta”
Junto com a entrega da minuta, foi lançada a identidade visual da Campanha Nacional Unificada 2026, com o tema aprovado na 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias.
O secretário de Comunicação da Contraf-CUT, Elias Hennemann Jordão, explicou o que está por trás do mote:
“Somos feitos de esperança porque acreditamos na capacidade de transformação da luta coletiva. Mas essa esperança não é passiva: ela se move pela organização, pela mobilização e pela defesa concreta de salário, emprego, PLR, saúde, direitos e dignidade no trabalho.”
A primeira mesa de negociação com os bancos acontece no dia 2 de julho, em São Paulo. Acompanhe cada passo por aqui. ✊
🚩 BancáriosRP: Movido Pela Luta!
Informações da Contraf-CUT, com edição BancáriosRP
