A força do movimento demonstrou a total coesão e determinação da base na Campanha Nacional Unificada.
A categoria bancária deu um recado claro, firme e incontestável aos grandes bancos: não haverá recuo diante do desrespeito. A paralisação de 24 horas realizada nesta quinta-feira (20) mobilizou trabalhadores em todo o país e registrou uma adesão massiva em Ribeirão Preto e nos municípios da região.
O movimento de advertência foi aprovado por 90% da categoria nas assembleias, como resposta direta à postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Após oito rodadas de negociação iniciadas em julho, o setor patronal insiste em enrolar e recusa apresentar propostas concretas para o reajuste salarial com ganho real e a melhoria das condições de trabalho.
Unidade Regional em Ação
A adesão maciça nas agências de Ribeirão Preto e região consolida a força e o protagonismo do movimento local na construção da mobilização nacional. Agências de diversos portes e bandeiras tiveram suas atividades suspensas ao longo do dia, reforçando o compromisso com a defesa dos direitos e da dignidade da categoria.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Ribeirão Preto e Região, Ronaldo Silvino, enfatizou a importância da resposta dada pelas bases:
“A paralisação obteve total sucesso em Ribeirão Preto, com adesão expressiva em todo o país, reafirmando a nossa tradição de unidade. O recado está dado de que a nossa categoria exige respeito, valorização das suas remunerações, além de um ambiente de trabalho saudável.”
A Dura Realidade do Setor Financeiro
A insatisfação da categoria reflete a contradição do modelo de gestão empregado pelo sistema financeiro nacional. Enquanto os banqueiros protelam a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), os números escancaram a disparidade entre os lucros recordes e a precarização das condições de trabalho:
Lucros Bilionários: Em 2025, o setor bancário acumulou um lucro líquido de R$ 171 bilhões, sendo R$ 124 bilhões concentrados apenas nos cinco maiores bancos.
Abismo Remuneratório: A previsão de remuneração média para os altos executivos dos três maiores bancos privados para 2026 é de R$ 12,5 milhões — valor 120 vezes superior à média anual de um escriturário.
Aumento da Produtividade: Segundo dados do Dieese, o lucro por empregado nos bancos atingiu R$ 438 mil em 2025.
Sobremedicação e Adoecimento: Consulta realizada pelo Comando Nacional com 55 mil bancários revelou que 40% da categoria fez uso de medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes) no último ano.
Afastamentos: Dados oficiais do INSS indicam que os bancários representaram 25% do total de afastamentos do trabalho por questões de saúde no último ano.

Reestruturação e Terceirização
Os trabalhadores rebatem a justificativa patronal de que o fechamento de unidades físicas e de vagas é um efeito inevitável da transformação digital. Entre 2015 e 2025, enquanto o setor cortou 88 mil postos de trabalho e fechou 9,5 mil agências, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços e precarizando o atendimento.
Se a Fenaban insistir no bloqueio das pautas de reivindicação que incluem ganho real nos salários, PLR, vales refeição e alimentação, além do piso específico para a área de Tecnologia da Informação (TI), a mobilização da categoria seguirá em expansão por todo o país.

Redação e fotos: BancáriosRP com informações da Contraf-CUT