Publicado por:Rogerio Novaes
Movimento sindical protesta contra a Fenaban, que negou a relação entre adoecimento e condições de trabalho
Bancários e o movimento sindical realizam nesta quinta-feira (1º) o Dia Nacional de Luta por mais Saúde. As manifestações estão programadas para ocorrer nas redes sociais e agências bancárias, em resposta à Comissão de Negociações da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que negou a relação entre adoecimento na categoria e o trabalho. As ações ocorrem sob o mote “Não adianta negar, saúde em 1º lugar!”.
Na última mesa de negociação, no âmbito da campanha nacional de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a Fenaban relatou que não existem dados suficientes que comprovem a ligação entre os casos de adoecimento mental e a atividade de trabalho.

Orientações

O movimento sindical orienta que os trabalhadores compartilhem os materiais de apoio, que estão sendo disponibilizados pelas entidades sindicais, com dados sobre o adoecimento na categoria, nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp.

A proposta é utilizar a hashtag #MenosMetasMaisSaúde e o mote “Não adianta negar, saúde em 1º lugar” nas publicações.

Nas agências, a orientação é realizar rodas de escuta sobre o tema de metas e saúde e explicar sobre as reivindicações da minuta entregue à Fenaban para a campanha de renovação da CCT.

Afastamento na categoria é três vezes maior que a média geral

Durante a última mesa de negociação, representantes da categoria apresentaram dados da Consulta Nacional dos Bancários que, neste ano, ouviu quase 47 mil trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do país. Entre os dados, está a utilização de medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos, estimulantes): nos últimos 12 meses, 39% dos trabalhadores afirmaram fazer uso dessas medicações, revelando o alto índice de adoecimento mental na categoria.

A pesquisa revela ainda os impactos da cobrança excessiva pelo cumprimento de metas na saúde. Podendo escolher múltiplas respostas, os resultados foram:

– 67% – preocupação constante com o trabalho
– 60% – cansaço e fadiga constante
– 53% – desmotivação, vontade de não ir trabalhar
– 47% – crise de ansiedade/pânico
– 39% – dificuldade de dormir, mesmo aos finais de semana

Durante a mesa de negociação, os trabalhadores apresentaram ainda o levantamento do Dieese, com base em dados do INSS e da RAIS, que mostra que o afastamento bancário relacionado à saúde mental, em 2022, foi três vezes maior que a média de afastamentos, considerando todas as categorias.

As reivindicações consistiram na rediscussão da política de metas nos bancos, para os prazos serem razoáveis e respeitados; no combate ao assédio moral e no direito à desconexão fora do horário de trabalho; e na exigência de que as bancárias e bancários recebam tratamento humanizado e condições para se recuperarem e manterem seus empregos.

Membros do Comando Nacional dos Bancários enfatizam que provas suficientes foram levadas à mesa. O adoecimento mental dos bancários é maior que em outras categorias e, por isso, os trabalhadores querem avançar no combate ao assédio moral. A pressão para bater metas é intensificada pela vigilância de resultados e pela insuficiência de pessoas para realizarem suas tarefas, gerando um ritmo de trabalho excessivo.

Só em 2023, os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 108,6 bilhões. Mas, apesar do montante, nesse mesmo ano fecharam mais de 600 agências e demitiram mais de 2 mil funcionários.

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