COE e GT Saúde apresentam diversas cobranças ao banco Itaú

Publicado por:Rogerio Novaes

A Comissão de Organização dos Empregados – COE e O Grupo de Trabalho – GT Saúde do Itaú, reuniram-se com a direção do banco na terça-feira (12) para discutir questões urgentes relacionadas a emprego, fechamento de agências, segurança, remuneração, condições de trabalho, atendimento médico e às condições de saúde no trabalho.

Para a COE, o banco apresentou o número de contratações e desligamentos no período: foram 5.839 contratações e 4.475 demissões. Apesar do saldo positivo, houve 1.800 pedidos de demissão, resultando em um número total de saídas superior ao de admissões. A COE questionou os dados e solicitou que o Itaú informe, por região, a situação de cada funcionário realocado. A direção se comprometeu a avaliar a possibilidade de enviar as informações.

O Itaú também apresentou números sobre o encerramento de unidades: 197 agências já fechadas e 28 em processo de fechamento, envolvendo 1.720 trabalhadores (86% realocados, 12% sem realocação e 2% que pediram demissão). Outros 252 bancários continuam em fase de realocação. A COE cobrou medidas para garantir acompanhamento e melhores condições para os trabalhadores atingidos.

Outro ponto debatido foi o impacto do fechamento de agências no atendimento a aposentados. Segundo o banco, clientes aposentados recebem um cartão e podem utilizar normalmente os terminais de autoatendimento para sacar e realizar transações. A COE apontou que essa solução é insuficiente e pode prejudicar o atendimento a esse público.

A questão da segurança também esteve na pauta. Foram apresentados casos, especialmente na Bahia, de agências sem vigilantes, onde os caixas eletrônicos são abastecidos internamente, aumentando riscos para trabalhadores e clientes.

O banco apresentou ainda o novo modelo de remuneração variável do Smart Pro, que terá metas mensais e pagamento semestral. A COE questionou a falta de incorporação da remuneração variável do modelo anterior, o GERA, como havia sido informado anteriormente, especialmente para gestantes e trabalhadores em licença.

Houve também debate sobre a situação da unidade Digital do Rio de Janeiro, onde mudanças na escala de trabalho reduziram o regime de home office, gerando descontentamento. Uma pesquisa feita na base confirmou o problema, e o Itaú se comprometeu a levar o tema à Diretoria da Digital.

A próxima reunião deve retomar as pendências e discutir no GT do GERA questões como problemas no SQV, avaliação de desempenho e treinamentos.

Na sequência, o Grupo de Trabalho (GT) Saúde apresentou as principais queixas, como a falta de autonomia dos médicos das clínicas credenciadas, que só concluem o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) após contato com o médico coordenador em São Paulo; a realização repetida de exames visando mudar o resultado do ASO; e a emissão do documento somente por e-mail. Também foi apontada a prática de avaliações médicas voltadas mais para a vida pessoal do que para as condições de trabalho dos empregados.

Outro ponto de preocupação foi a exigência do banco para o trabalhador fazer, de próprio punho, uma carta autenticada em cartório, com foto do crachá, para obter seu prontuário médico — mesmo sendo possível acessar informações pelo IU Conecta. A COE apontou a contradição dessa exigência, lembrando que o ASO precisa ser assinado pelo bancário, que pode recusar o documento se não concordar com o resultado. No entanto, quando precisa verificar as anotações médicas e exames, o acesso é dificultado pelo banco.

Diante das cobranças, o Itaú se comprometeu a criar um espaço para contestação do resultado do ASO e a disponibilizar comprovante físico para quem solicitar.

O canal de denúncias também foi debatido, com novas reclamações sobre quebra de sigilo, demissão de denunciantes e demora na apuração. O banco negou que tenha havido desligamentos por denúncias e propôs uma nova reunião para discutir melhorias no canal.

O GT também abordou a demissão de trabalhadores em tratamento de doenças graves, como câncer, a melhoria na folha de pagamento de licenciados, a perda da qualidade de segurado e a realização de uma pesquisa de satisfação sobre os serviços médicos.

Para Luciana Duarte, coordenadora do GT Saúde, a reunião reforçou a necessidade de respostas rápidas e efetivas. “Colocamos em mesa a necessidade de respostas à categoria, pois as demandas apresentadas são recorrentes. Um exemplo disso é o desrespeito que muitos bancários sofrem quando precisam se afastar para tratamento médico. Também queremos uma solução prática em relação às reclamações no Ombudsman”, destacou.

Já Valeska Pincovai, coordenadora da COE Itaú, reforçou a importância de garantir a credibilidade do canal de denúncias. “Os bancários realmente precisam confiar que suas denúncias serão analisadas de forma sigilosa e ágil. Esperamos que, na próxima reunião, tenhamos respostas satisfatórias sobre os temas discutidos”, afirmou.

Com informações da Contraf-CUT

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