Problemas no VPN, home office, o programa Super Caixa e segurança bancária também foram debatidos na mesa
Ao apresentar o processo de reestruturação, que vem chamando de reposicionamento, a Caixa Econômica Federal garantiu que não haverá perdas financeiras, durante a Mesa de Negociação Permanente, reunida nesta sexta-feira (15/8), no Aqwa Corporate, no Rio de Janeiro. A garantia foi dada a partir da advertência feita pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE), de que a fusão de agências poderia gerar prejuízos para caixas e tesoureiros minuto e por prazo, realocados em caso de substituição pelos efetivos de unidades fechadas.
Para justificar a reestruturação, a Caixa argumentou que precisa se adequar à realidade, em que os clientes passaram a utilizar os canais digitais mais intensamente no seu dia a dia, e que há agências com baixas demanda e volume de atendimento. O coordenador da CEE, Felipe Pacheco, criticou o processo que deu origem ao reposicionamento, que foi colocado em prática sem qualquer negociação prévia com a representação dos empregados. “O banco não pode vir com o bolo pronto e servir. Ainda mais um tema desta relevância, que pode gerar impactos na vida dos empregados”, afirmou.
Eliana Brasil, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), também criticou a falta de diálogo. “Este problema vem se repetindo. É preciso que esta Mesa seja valorizada”, disse.
Rogério Campanate, representante da Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro (Federa-RJ), ressaltou que é preciso que haja uma comunicação efetiva antecipada, por parte da Caixa, às representações dos trabalhadores, antes de colocar em prática mudanças como esta, que mexem diretamente com a vida dos empregados. “No caso do home office, por exemplo, o pessoal recebeu a notícia, ficou todo mundo desesperado e a explicação de como seria aconteceu depois, e nem foi uma explicação oficial da Caixa. E a questão do problema no VPN, que coincidiu de ser na mesma época do comunicado das mudanças do home office e que demorou 15 dias para ter uma comunicação efetiva do que estava acontecendo, de quando seria o retorno e neste retorno a mensagem também foi no último dia do prazo final estabelecido”, exemplificou. “Isso estremece o processo de confiança por parte dos empregados, tanto nesse processo negocial, quanto no que a Caixa apresenta”, disse.
Em resposta, a Caixa fez autocrítica, pedindo desculpas e garantindo que nenhum colega será prejudicado financeiramente e que a mesa de negociações será valorizada, com o banco chamando sempre para apresentação prévia de mudanças antes de elas serem feitas.
Fechamento de agências
O banco disse que está assegurando vagas a todos de agências que serão fechadas. Serão extintas 52 agências e 23 postos de atendimento bancário no país. A CEE cobrou cuidado da Caixa para o fechamento de unidades. A representante da Federação dos Bancários da CUT do Estado de São Paulo (Fetec-CUT/SP), Luiza Hansen, citou o caso do anúncio do fechamento da agência Cipó Guaçu, que causou a revolta da população e do comércio, levando à críticas de políticos locais. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região está colhendo assinaturas para um abaixo-assinado contra o fechamento desta agência.
Outros temas foram tratados, como o programa Super Caixa, home office, VPN, segurança para os empregados nos casos de assaltos e depoimentos em casos de golpes.
VPN/Home office
Em relação ao home office foi reforçada a necessidade de serem estabelecidos critérios objetivos para as pessoas poderem se organizar para este modelo, evitando que algumas chefias possam utilizar este tipo de trabalho como punição ou como premiação.
A Caixa divulgou uma orientação de como deveria ser o trabalho remoto, questionada pela CEE: seriam três dias na semana em casa e dois no presencial.
“Algumas áreas já tinham acordos diferentes. A de FGTS tinha dividido em quatro turmas, em escala, cada uma trabalhando uma semana presencial e três em home office. Os colegas argumentam que a forma proposta pela Caixa (3 em home e dois presencial) obriga as pessoas a carregar os equipamentos ida e volta, e que isso é perigoso, especialmente em lugares aqui do Rio de Janeiro”, argumentou Campanate.
A Caixa respondeu que acordos firmados anteriormente, poderiam continuar prevalecendo. “Esperamos que esta posição do banco seja mais efetiva, para que quem já tinha a escala definia, possa continuar”, afirmou Campanate.
A empresa reconhece que deveria ter comunicado antes, e que será providenciado um fluxo para indisponibilidades futuras. Foi cobrado que o banco estabeleça procedimentos para os casos dos depoimentos aos órgãos de segurança pública.
Super Caixa
A Caixa decidiu iniciar o debate da mesa de negociação, nesta sexta-feira (15/8), apresentando um programa próprio de pagamento de prêmios aos empregados conforme o desempenho, lançado em julho. É o já conhecido ‘Super Caixa’. A CEE criticou a Caixa por impor o programa, sem o negociar, antes.
Outra crítica foi quanto ao prazo de pagamento dos valores, que era trimestral para a venda de produtos do Caixa Seguridade. Já com o ‘Super Caixa’ o pagamento é semestral. A CEE lembrou que com o novo prazo, o banco vai economizar e não haveria ganho para os empregados.
Indo mais fundo nos detalhes, a empresa afirmou que o Super Caixa vale para toda a rede negocial – atacado e varejo – e garante premiação a quem for além do seu desempenho individual. Além da avaliação individual, haverá uma avaliação coletiva por agência.
Um dos problemas apontados é que o programa estabelece que a premiação somente será paga mediante resultado obtido pela unidade e não somente o resultado individual. Se um empregado não alcançar a meta, todos deixam de receber. A empresa alegou que não deve haver premiação sem resultado.
O representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), Edson Heemann, observou que, “assim como o banco argumenta que não deve haver premiação sem resultado, entendemos que não deve haver trabalho sem remuneração, ou seja, se a venda foi feita e a Caixa auferiu lucro, o empregado tem que ser remunerado por ela”, disse.
Outra cobrança feita pela CEE foi com relação à disponibilização de telefone corporativo para o uso do aplicativo PJ.
Segurança
“Em relação à segurança bancária, envolvendo casos de fraudes que demandem procedimentos junto à Polícia Federal, a empresa vai verificar o procedimento atualmente adotado e o tema deve ser retomado em mesas futuras, no sentido de garantir suporte e segurança aos empregados que denunciam crimes e auxiliam investigações”, informou a representante da Fetec-CN, Tatiana Oliveira.

Tesifon Quevedo Neto, representante da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários (Feeb) de São Paulo e Mato Grosso do Sul, solicitou com urgência uma mesa específica para tratar da questão da segurança nas unidades que trabalham com numerário (dinheiro). “O objetivo é preservar a segurança dos empregados que atuam nesses locais, destacadamente tesoureiros e caixas, alvos primários em ações criminosas”, disse.
“Entendemos também que é preciso tratar sobre a questão da segurança para as agências sem numerário também, pois os empregados lotados correm riscos ao trabalharem em unidades a presença de vigilantes”, disse a representante da Fenacef, Marilda Bueno.
Nova rodada de negociações
A próxima rodada de negociações será realizada nos dias 18 e 19 de setembro, em Belo Horizonte.
No dia 18 será a mesa específica sobre o Saúde Caixa e no dia 19 ocorrerá a mesa de negociação permanente.
Feeb SP/MS (Tesifon Neto), com informações Contraf/CUT (Paulo Flores)