Comando Nacional apresenta propostas de cláusulas para gestão ética de tecnologias que monitoram o trabalhador

Publicado por:Rogerio Novaes

Representantes sindicais querem medidas que impeçam bancos de utilizarem a tecnologia para violar o direito à privacidade e ao bem-estar do trabalhador.

O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu, nesta segunda-feira (1), com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), para a negociação envolvendo “Gestão ética da tecnologia na relação de trabalho”.

O encontro foi solicitado pelos sindicatos para discutir os riscos do uso abusivo de tecnologias como ferramentas de controle, por parte das instituições sobre os funcionários, para violar o direito à privacidade e ao bem-estar dos trabalhadores.

Logo no início da reunião, os representantes do movimento sindical apresentaram propostas sobre o tema, com as seguintes linhas gerais, que poderão fundamentar cláusulas futuras, na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria:

1. Que a aplicação de todas as novas ferramentas utilizadas nas relações de trabalho, seja monitoramento, avaliação ou treinamento, por exemplo, se atenha, exclusivamente, às questões relacionadas ao trabalho;

2. A garantia de que todas as ferramentas tecnológicas, novas ou as que já estão implementadas, sejam negociadas com o movimento sindical, para garantir a transparência de utilização das mesmas;

3. Garantia de intervenção humana e qualificada em todos os processos e decisões relacionadas ao uso das tecnologias, para nenhum trabalhador ser punido ou avaliado de forma automatizada; e

4. Gestão humana na utilização de novas tecnologias de monitoramento e avaliação no teletrabalho, garantindo ao funcionário o direito de questionar o resultado de seus feedbacks (avaliações).

A coordenação do Comando Nacional dos Bancários, entende que orientar o tema por meio de cláusulas é fundamental para limitar o uso da tecnologia às situações do trabalho. O Comando não vê sentido e não aceita que os trabalhadores sejam submetidos a vigilância intrusiva, que invada sua privacidade, indo além das dimensões do trabalho, retirando-lhes a autonomia. Para os representantes dos trabalhadores, a hipervigilância não é saudável, em sentido algum, seja para a criatividade, seja para o bem-estar, porque impede que o funcionário realize de forma saudável suas atividades. Para isso, exigiram a garantia de participação do movimento sindical sobre os tipos e usos de tecnologias, e de que formam impactam o dia a dia dos trabalhadores.

O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, completou que a “gestão ética do uso da tecnologia” no trabalho, por parte dos bancos, deve incluir ainda o direito do trabalhador à contestação e informação. “Os trabalhadores têm o direito de saber que tipo de sistemas estão monitorando-os e de que forma são utilizados para a formulação de feedbacks. Também defendemos que nenhum trabalhador seja punido ou avaliado exclusivamente por decisão automatizada. Para isso, é necessária a garantia da intervenção humana e qualificada, especialmente nos processos relacionados ao monitoramento”, ressaltou.

A presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região (SPBancários) e membro da coordenação, Neiva Ribeiro, reiterou a importância de que os bancos garantam a transparência em todos os mecanismos de monitoramento. “Este debate é de suma importância para a categoria diante do avanço das novas tecnologias. Não podemos permitir que se repita um episódio recente – no qual o monitoramento digital, do qual trabalhadores não tinham pleno conhecimento e não receberam feedback prévio, foi utilizado como justificativa para demissão em massa. Para isso, é preciso garantirmos a utilização ética das novas tecnologias em todas as etapas das relações de trabalho no setor bancário”, concluiu.

Uma nova reunião será realizada, ainda sem data prevista, para que as negociações sobre o tema prossigam.

Informações da Contraf-CUT

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