Defender os bancos públicos e a soberania é um compromisso inegociável com o povo brasileiro

Publicado por:Rogerio Novaes

Ato em defesa da governança abriu a mesa da Previ no 35º Congresso dos Funcionários do BB, com dirigentes denunciando ataques políticos e reafirmando a garantia dos direitos dos associados

O 35º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (35º CNBB), realizado em São Paulo, deu início à mesa sobre a Previ com um ato simbólico de apoio à entidade. Bancárias e bancários presentes ergueram placas em defesa da governança da Previ, reafirmando o compromisso histórico da categoria com a preservação de seus fundos de pensão. O gesto abriu espaço para as falas do presidente da Previ, João Fukunaga, de Wagner Nascimento, diretor de seguridade da Previ, do diretor de Administração, Márcio de Souza, e de Paula Goto, diretora de Planejamento. Todos os palestrantes defenderam a entidade de ataques recentes e ressaltaram a importância de garantir os direitos dos associados e a manutenção de um modelo de gestão sólido e democrático.

Ataques são políticos e miram a desconstrução do BB

O presidente da Previ, João Fukunaga, iniciou sua fala ressaltando que os ataques recentes não têm como alvo apenas a entidade de previdência, mas o próprio Banco do Brasil e seu papel público. Para ele, há uma estratégia orquestrada pela extrema-direita, amplificada pela mídia, que tenta fragilizar a imagem do banco e abrir caminho para mudanças no modelo de gestão.

Um dos pontos abordados foi a repercussão dos resultados financeiros do BB. O presidente da Previ destacou que a queda recente nos lucros está ligada a fatores conjunturais, como a crise do agronegócio, e não a problemas de gestão. Ele ressaltou que os balanços do banco desde 2021 deixam claros os fatores que explicam o desempenho, afastando a narrativa de má administração.

Fukunaga reforçou que a luta não é pela defesa de gestores, mas do caráter público das instituições. “Estamos aqui para defender a Previ, a Cassi e o Banco do Brasil. Se não fizermos isso, vão impor uma agenda de desconstrução pelo Congresso e pela extrema direita”, alertou.

Ele lembrou que o modelo de governança da Previ é sólido, transparente e amplamente auditado, tendo sido recentemente reconhecido em relatório do Tribunal de Contas da União. Para ele, as tentativas de impor a entrada de “nomes do mercado” na gestão dos fundos de pensão representam um ataque direto à governança paritária construída historicamente pelos associados.

O presidente da Previ também apresentou encaminhamentos práticos sobre a gestão dos planos incorporados. Informou que será criado um grupo de trabalho com prazo de 90 dias para analisar juridica e administrativamente as propostas, em diálogo com fundações e entidades do setor. A meta é elaborar um plano consistente que assegure a sustentabilidade da previdência complementar.

Ao encerrar, João Fukunaga reforçou que a Previ e o Banco do Brasil são instituições públicas que devem ser defendidas pela categoria e pela sociedade. “Não estamos falando de nomes ou de gestões individuais. O que está em jogo é o futuro da Previ, da Cassi e do Banco do Brasil como instrumentos do povo brasileiro”, concluiu.

Garantia de direitos e governança como maior tesouro

Wagner Nascimento, diretor eleito de Seguridade, destacou a importância das “atitudes previdenciárias”, ou seja, a adoção de ações que terão impacto direto na qualidade de vida no futuro. Para isso,  apresentou dados sobre o grau de engajamento dos associados nos planos da Previ e reforçou a necessidade de que cada participante utilize as ferramentas disponíveis para fazer seu “check-up previdenciário” e estruturar um planejamento adequado.

Entre as orientações, destacou o uso do aplicativo da Previ e da ferramenta Meu Benefício, que simula cenários personalizados de aposentadoria. Também enfatizou a importância do API – Avaliação do Perfil do Investidor, questionário que ajuda cada associado a escolher o perfil de investimento mais adequado ao seu momento de vida, carreira e expectativas.

“A aposentadoria tranquila começa com pequenas atitudes que podemos tomar agora. Quanto mais cedo o associado se planeja, maiores serão suas possibilidades no futuro”, ressaltou Wagner.

O diretor também chamou atenção para a relevância das contribuições adicionais e complementares, que podem ser feitas com contrapartida do Banco do Brasil, sem taxa de carregamento e com benefício fiscal. Além disso, incentivou os associados a procurarem a assessoria previdenciária oferecida gratuitamente pela Previ, que disponibiliza análises personalizadas em até cinco dias úteis. “Nosso papel é estimular atitudes previdenciárias entre todos os associados, porque isso fortalece não somente cada um, mas a Previ como um todo”, afirmou.

Por sua vez, Márcio de Souza, diretor de Administração da Previ, explicou o processo de transferência da gestão de oito planos de benefícios para a Previ e reforçou que a entidade precisa ser defendida contra tentativas de enfraquecimento de seu modelo de gestão paritária.

De acordo com ele, o movimento de transferência da gestão dos planos de benefícios segue práticas já consolidadas no setor de previdência complementar fechado. A operação consiste em trazer para a Previ a gestão administrativa desses planos, preservando regras, políticas de investimentos e ativos. Ele enfatizou que a medida não implica unificação de planos ou supressão de garantias. “Todos os direitos dos associados e associadas estão integralmente garantidos. A transferência não retira nada, apenas muda a gestão administrativa para a Previ”, explicou.

O diretor lembrou que, após a assinatura dos termos de transferência entre patrocinadores e entidades de origem, caberá à Previ assegurar a correta observância das regras, sem assumir riscos de responsabilidade dos patrocinadores.

Um dos pontos centrais da fala foi a defesa da governança. Márcio destacou que a Previ se diferencia por ser uma entidade paritária, em que diretores eleitos e indicados, estes obrigatoriamente associados há pelo menos dez anos, dividem responsabilidades e garantem o comprometimento com os direitos da categoria. Para ele, essa estrutura é o que sustenta a solidez da entidade ao longo do tempo.

Márcio alertou que novas pressões podem surgir. Fiscalizações e recomendações técnicas podem voltar a impor alterações estatutárias que fragilizem o poder de decisão dos associados. Nesse cenário, destacou, será necessário que os trabalhadores estejam preparados para mobilizar-se em defesa da Previ. “Nosso maior tesouro não são os ativos financeiros, é a governança. Sempre que tentarem reduzir a participação dos associados, será preciso reagir com muita firmeza”, afirmou.

A intervenção de Márcio de Souza foi recebida como um chamado à unidade. Ao reforçar que o maior patrimônio da Previ não é financeiro, mas político sua governança, ele situou a defesa da entidade como parte inseparável da luta pela valorização do funcionalismo do Banco do Brasil. “A Previ sempre cumpriu sua função de garantir direitos e dar segurança ao futuro dos associados. Mas essa conquista só se mantém com vigilância e luta coletiva”, ressaltou.

A presença da Previ no congresso reafirmou, assim, que a defesa dos direitos previdenciários passa pela proteção de um modelo de gestão exemplar, construído com a participação direta dos associados e constantemente ameaçado por interesses externos.
União entre a experiência e a renovação garante perenidade da Previ

A diretora eleita de Planejamento da Previ, Paula Goto, abordou a importância da união para garantir a bem-sucedida gestão da Previ, incluindo o importante pacto geracional. “Sempre digo que tudo que o funcionário do Banco do Brasil toca vira ouro. Nós temos hoje a categoria mais atuante, o maior sindicato de bancários, a maior autogestão em saúde (com a Cassi) e o maior fundo de pensão (Previ) da América Latina. Ou seja, além de lidar com grandes entidades, é com muita qualidade e muita vigilância que o trabalhador e a trabalhadora do BB atuam”, explicou.

A diretora de Planejamento da Previ também ressaltou a importância de experiência e renovação andarem lado a lado. “Lideranças novas, caminhando com quem está aí há mais tempo é o que explica a gestão bem sucedida de entidades centenárias, como são o Banco do Brasil e a própria Previ”, completou. “E isso diz muito da nossa capacidade de inovar, de olhar pra frente para entender as nossas necessidades e fazer a defesa intransigente dos nossos direitos e das nossas entidades”, concluiu.

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