Banco diz que pagamento dos deltas e da premiação do Super Caixa sairão somente depois de concluída a apuração do Resultado.Caixa, no final de março; CEE cobra em mesa que pagamento seja realizado na folha de janeiro
A recente mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e a Caixa Econômica Federal trouxe à tona temas críticos para o bolso e o bem-estar dos bancários. O ponto de maior urgência é o atraso no pagamento dos deltas. O coordenador da CEE, Felipe Pacheco, destaca que essa demora causa um prejuízo direto, já que os empregados podem ficar até três meses sem os valores da promoção por mérito.

Embora o banco sinalize a correção de distorções no Super Caixa, a representação dos trabalhadores contesta a morosidade do processo. Historicamente, os deltas eram pagos em janeiro, e a CEE exige que o banco retome esse cronograma, efetuando o pagamento ao menos do primeiro delta, que não depende do Resultado.Caixa até o dia 5 de fevereiro. A crítica é pontual: para cobrar metas, os sistemas do banco são instantâneos, mas para valorizar o trabalhador, impera a lentidão.
Unilateralidade na Plataforma PJ e sobrecarga no Varejo
Outro ponto de conflito é a implementação da nova Plataforma PJ. A CEE denunciou que a Caixa ignorou a Cláusula 49 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que exige negociação prévia para mudanças que alterem o cotidiano laboral. Luiza Hansen, representante da CEE, aponta que essas alterações rápidas, feitas sem ouvir quem está na ponta, geram sobrecarga e falhas operacionais.
Com a migração de clientes de alto faturamento para estruturas específicas (PAPJ, PAGOV e PA Singular), os Gerentes de Varejo acabam herdando um “carteirão” misto, mas sem receber o porte correspondente, como ocorre com os Gerentes de Carteira. O movimento sindical questiona essa injustiça remuneratória e a perda de rentabilidade das agências, que ficam desfalcadas de seus principais negócios sem um ajuste no Plano de Funções Gratificadas (PFG).
O futuro da função de Caixa e o impasse na migração
Sobre o projeto piloto de migração de Caixas para Assistentes, a posição dos representantes é clara: o projeto precisa ser suspenso para um debate profundo. A baixa adesão dos empregados no Rio Grande do Sul, por exemplo, reflete a insegurança gerada pela falta de clareza sobre a remuneração e a manutenção da “quebra de caixa”.
Tessifon Quevedo Neto, representante da FEEB-SP/MS, ressalta que o banco negou a existência desse projeto em reuniões anteriores e agora o apresenta sem orçamento definido ou garantias salariais. Para o movimento sindical, enquanto não houver proteção financeira aos empregados, qualquer mudança na função gerará apenas adoecimento e incertezas.
Calendário de lutas e Saúde Caixa
A CEE solicitou que as reuniões de negociação permanente sejam mais frequentes e presenciais, especialmente para tratar do Saúde Caixa. Na última sessão, temas como consignados e superendividamento ficaram de fora por falta de tempo da equipe do banco, reforçando a necessidade de um cronograma mais robusto.
Por fim, a representação também cobrou responsabilidade da Caixa com os trabalhadores terceirizados após a rescisão de contrato com uma empresa prestadora. O banco foi orientado a impedir que gestores induzam esses trabalhadores a pedidos de demissão indevidos, garantindo que os elos mais frágeis da cadeia não sejam prejudicados.
Benefícios e Equidade
No encerramento, a Caixa apresentou dados sobre equidade de gênero e anunciou a inclusão dos convênios Total Pass e Wellhub (antigo Gympass) no programa de saúde, além de uma consulta mensal com nutricionista para os empregados. Detalhes sobre os dados de equidade serão divulgados em breve.