A abertura do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizada nesta quarta-feira (17) em São Paulo, reuniu representantes sindicais de todo o país para projetar o futuro da categoria e defender o papel social da instituição. O primeiro dia do evento foi marcado pelo lançamento de um manifesto em defesa de ambientes de trabalho dignos e por reflexões profundas sobre como o sistema financeiro deve servir ao crescimento econômico e social do Brasil.
Compromisso com a dignidade: Manifesto Tolerância Zero
O congresso começou com uma posição firme das entidades representativas dos trabalhadores. A leitura do Manifesto de Tolerância Zero para Casos de Violência e Assédio reafirmou o compromisso do Comando Nacional dos Trabalhadores Bancários, das confederações e federações e dos sindicatos com a construção de espaços seguros, acolhedores e respeitosos.
O documento destaca as seguintes diretrizes:
Direito universal à dignidade: Todas as pessoas têm o direito de viver e trabalhar livres de violência, independentemente de gênero, orientação sexual, idade, raça, religião ou deficiência.
Exemplo institucional: O enfrentamento a essas práticas deve começar dentro das próprias organizações e nos espaços de representação dos trabalhadores.
Canais de proteção: A Contraf-CUT reforçou os procedimentos de acolhimento, sigilo e apuração rigorosa para garantir justiça e proteção integral às vítimas em qualquer atividade ou evento sindical.
A iniciativa consolida a atuação do movimento sindical na vanguarda da defesa dos direitos humanos, assegurando que os ambientes de debate coletivo sejam pautados pelo respeito mútuo.
O papel dos bancos públicos e a soberania econômica
A primeira mesa de debates do 41º Conecef ampliou o horizonte da categoria ao analisar os desafios da organização dos trabalhadores e as lições do sistema financeiro internacional para o desenvolvimento brasileiro.
Mobilização e Valorização do Trabalho
O deputado federal Tadeu Veneri iniciou as reflexões abordando as transformações no mundo do trabalho e o avanço da precarização. Ele ressaltou que a defesa das instituições públicas caminha lado a lado com a preservação dos empregos e a conscientização política.
“As grandes conquistas da classe trabalhadora sempre ocorreram quando houve organização e pressão social”, destacou o parlamentar, apontando a necessidade de os sindicatos dialogarem de forma inovadora com a sociedade e priorizarem pautas de impacto permanente, como o aumento real dos salários.
O Modelo Chinês como Referência de Crédito Produtivo
Na sequência, o professor e pesquisador Marcello Rodrigues de Azevedo, doutor em Relações Internacionais pela UERJ, apresentou um panorama do sistema financeiro chinês, demonstrando como o país asiático utilizou seus bancos públicos como motores estratégicos para impulsionar a infraestrutura, a inovação tecnológica e o mercado interno.
Azevedo explicou os principais pilares desse modelo:
Subordinação ao desenvolvimento nacional: Diferente da lógica de curto prazo do mercado financeiro tradicional, o crédito na China funciona como ferramenta estrutural para a economia real.
Bancos políticos e comerciais: O Estado conta com instituições voltadas exclusivamente para a execução de políticas públicas (sem foco em maximização de lucros), além de grandes bancos comerciais e cooperativas regionais que reduzem as desigualdades locais.
Controle público e soberania: Mecanismos como o Fundo Huijin garantem que a abertura de capital não resulte em privatização, enquanto sistemas de pagamento próprios fortalecem a soberania financeira do país.
Caminhos para o Brasil
Ao conectar a experiência internacional com a realidade nacional, o debate provocou os participantes a refletirem sobre os rumos da Caixa Econômica Federal e o compromisso de todo o sistema financeiro com um projeto de país. A grande questão levantada não se limita à propriedade das instituições, mas a serviço de quem elas atuam: se da especulação financeira ou do desenvolvimento econômico e social.
O 41º Conecef segue com sua programação focado em propor soluções integradas para o fortalecimento do papel social da Caixa, unindo a valorização das condições de trabalho à construção de um país mais justo e soberano.
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