Trabalhadores protestam contra fechamento de agências, demissões, metas abusivas e assédio moral e digital
É de Norte a Sul que bancárias e bancários do Itaú dão um basta! Nesta terça-feira (14), o Dia Nacional de Luta, convocado pelo movimento sindical, transformou-se em um grito uníssono contra o desrespeito promovido pelo maior banco privado do Brasil. Aqui em Ribeirão Preto, o Sindicato paralisou a agência 332 – Nove de Julho, mostrando a força da categoria. A indignação nacional reside no contraste: enquanto o Itaú celebra lucros astronômicos, superiores a R$ 20 bilhões no primeiro semestre de 2025, a empresa responde com o fechamento de postos de trabalho, demissões em massa e a drástica precarização das condições de quem constrói esse resultado.
A cada semana, novas unidades são encerradas e centenas de empregados são desligados. Os que permanecem enfrentam sobrecarga, acúmulo de funções e metas cada vez mais abusivas, em um ambiente de trabalho marcado pela pressão, adoecimento e medo.
“O clima nas agências e departamentos é insustentável. O banco prioriza o lucro em detrimento da saúde e da dignidade de seus funcionários”, denunciou o dirigente do BancáriosRP e trabalhador do Itaú, Ricardo Bitar.
“Feito para pessoas”? Só na propaganda!
Apesar de inundar suas campanhas publicitárias com o discurso de ser “feito para pessoas”, na prática, o Itaú adota um modelo de gestão cruel, focado obsessivamente em resultados e metas inalcançáveis, ignorando o impacto humano da sua política.
Os trabalhadores denunciam a gritante contradição entre a imagem humanizada vendida pelo banco e a realidade de demissões em massa, assédio moral e o terrorismo psicológico do assédio digital. Com o avanço da automação e da digitalização, o Itaú investe em tecnologia somente para cortar custos. O banco moderniza, mas não oferece requalificação ou segurança aos seus empregados, transferindo todo o peso das transformações para quem está na linha de frente do atendimento.
O movimento sindical exige o fim imediato das demissões, a reabertura urgente do diálogo e, acima de tudo, o respeito aos direitos e à dignidade da categoria.
Fechamento de agências e demissões: um ataque ao emprego e à população
Nos últimos anos, o Itaú promoveu um verdadeiro desmonte, fechando centenas de agências bancárias em todo o Brasil. O golpe é duplo: afeta diretamente os trabalhadores e pune a população, especialmente em pequenas e médias cidades, que dependem do atendimento presencial.
Cada agência fechada representa menos empregos, o inchaço de filas e a piora do atendimento. A política de enxugamento e digitalização forçada é a prova de que o banco coloca o lucro estratosférico acima de qualquer compromisso social com o país.
“O Itaú lucra com tarifas abusivas, juros extorsivos e a precarização dos serviços digitais. Mas quem paga a conta desse lucro indecente são os bancários e os clientes, os quais são desassistidos e privados do atendimento humanizado”, critica a dirigente do BancáriosRP, Nancy Mazzei.
Adoecimento e assédio: basta de metas impossíveis!
A pressão por resultados a qualquer custo tem sido uma fábrica de adoecimento físico e mental entre os bancários. Os casos de ansiedade, depressão e burnout disparam, agravados por cobranças excessivas e o monitoramento digital opressor feito por ferramentas de inteligência artificial que operam sem transparência e sem limites éticos claros.
O movimento sindical está na luta pela criação de políticas efetivas de saúde mental, que incluam acompanhamento psicológico garantido, redução imediata das metas abusivas e a construção de um ambiente de trabalho pautado pelo respeito e acolhimento, e não pela pressão.
Emprego, saúde e dignidade: é disso que o Itaú precisa
As manifestações desta terça-feira expressam a indignação, mas também a força inabalável de uma categoria que não aceita retrocessos em seus direitos.
Durante todo o dia, dirigentes sindicais ficaram de frente com a população e nas portas das unidades do Itaú, dialogando, denunciando as injustiças e reafirmando o lema: “Quem constrói o lucro do banco são os bancários e eles merecem respeito, emprego e dignidade!”