Comando Nacional volta à mesa de negociações com a Fenaban na terça (27)

Publicado por:Rogerio Novaes

Manifestações estão agendadas para o decorrer da semana; Categoria bancária exige aumento real, PLR e vales-alimentação e refeição maiores e mais direitos.

O Comando Nacional dos Bancários volta à mesa de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (27), que prosseguirão nos dias seguintes, até sexta-feira (30), com a expectativa de que seja renovada a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria com os bancos respeitando as reivindicações dos trabalhadores.

Na próxima semana, a categoria também intensificará os protestos nas agências, departamentos e redes sociais. A orientação é que todos utilizem nas postagens a hashtag #MerecemosRespeito, sempre marcando a Febraban (@febraban_oficial no Instagram e @Febraban para o X).

A categoria defende:”Merecemos respeito! Os lucros exorbitantes do setor bancário são fruto do trabalho das bancárias e bancários! Ainda assim, na última mesa de negociações, as empresas apresentaram uma proposta vergonhosa de reajuste salarial, com perda real de 0,57%”.

Dados do setor

– Em 2023, os bancos tiveram lucro de R$ 145 bilhões no país. Estamos falando de lucro, já descontado impostos, provisões, gastos com funcionários e equipamentos;
– No 1º semestre de 2024, o lucro dos cinco maiores bancos foi de R$ 60 bilhões, aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2023;
– No Brasil, os bancos têm rendimento médio de 15% ao ano acima da inflação. A título de comparação, os bancos dos Estados Unidos têm rentabilidade média de 6,5% acima da inflação, na Espanha 10% e na Inglaterra 9%;
– Ainda que representem 10% das instituições financeiras do Brasil, os bancos têm resultado nove vezes maior que as instituições de pagamento, respondendo por 71% do lucro produzido no setor financeiro, sem contar que muitos bancos são detentores de instituições de pagamento;
– Além disso, os bancos detêm 82% do mercado de crédito do país e 81% dos ativos do mercado financeiro brasileiro;
– Por outro lado, no último ano, 2023, os bancos tradicionais encerraram mais de 2 mil postos de trabalho, enquanto em todo o sistema financeiro, do qual os bancos fazem parte, está havendo o aumento de empregos.

Leia também: Setor bancário destoa do mercado e continua demitindo

Reivindicações da categoria

– Reajuste salarial que corresponda à reposição pelo INPC acumulado entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido do aumento real de 5%;
– Melhoria nos percentuais da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
– E melhorias nas demais verbas, incluindo vales-alimentação e refeição, auxílio, creche e auxílio babá.

Os trabalhadores reivindicam ainda:
– Fim da gestão por metas abusivas, que tem gerado adoecimento na categoria;
– Reforço aos mecanismos de combate ao assédio moral e sexual;
– Direito à desconexão fora do horário de trabalho;
– Direitos para pessoas com deficiência (PCDs) e neuro divergentes;
– Suporte aos pais e mães de filhos com deficiência;
– Mais mulheres na TI;
– Combate à terceirização e garantia de empregos;
– Jornada de trabalho de quatro dias;
– Ampliação do teletrabalho.

Direitos e não benefícios

O presidente do BancáriosRP, Ronaldo Silvino, lembra que todas as conquistas obtidas pelos bancários e bancárias que já estão na CCT, são inovações que não têm previsão legal, como as mesas permanentes sobre saúde, segurança e igualdade de oportunidades, 13º auxílio-alimentação, auxílio para trabalhadores com filhos com deficiência, complementação de auxílio previdenciário e tantos outros. “São direitos conquistados e não benefícios concedidos pelos bancos, que agora, querem retirá-los. Não permitiremos! Além de justos, tendo em vista que a categoria é diretamente responsável pelos constantes lucros dos bancos, são direitos que servem de modelo para as demais categoriais, que apontam para uma sociedade mais inclusiva e não concentradora de renda”, pontua Silvino.

Outros avanços da luta negocial

A Convenção Coletiva Nacional dos bancários existe há mais de 30 anos e, atualmente, o Comando Nacional dos Bancários, que intermedeia as negociações com os bancos, representa 149 sindicatos, 11 federações e 1 confederação que, por sua vez, representam 91% dos 433 mil bancários e bancárias de todo o país.

Além das cláusulas para reajustes de verbas remuneratórias, o Comando conquistou ao longo dos anos outros direitos. “Das 119 cláusulas que negociamos, 106 são superiores à lei, ou seja, inovações que não têm previsão legal”, destaca Silvino, como 13º auxílio alimentação, auxílio para trabalhadores com filhos com deficiência, complementação de auxílio previdenciário, verbas de requalificação profissional na demissão e estabilidade pré-aposentadoria.

Outras conquistas obtidas pela categoria, em mesa de negociação, foram a criação de mesas permanentes sobre saúde, segurança e igualdade de oportunidades, que discute questões de gênero, raça, orientação sexual e de pessoas com deficiência.

“A negociação coletiva é fundamental. Como conceber direitos sem obrigações? Como conceber direitos sem deveres? Como pensar em democracia sem sindicatos fortes e como pensar em sindicatos fortes sem financiamento sindical?”, concluiu Silvino.

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