Outubro Rosa: desigualdade social tem reflexos no diagnóstico de câncer de mama

Publicado por:Rogerio Novaes

Levantamento revela que entre mulheres com ensino fundamental e das classes D e E é maior a desinformação; descoberta tardia derruba chance de cura para 50% entre diagnosticadas com o tipo de carcinoma

Segundo o Instituto Oncoguia, quando o câncer de mama é diagnosticado precocemente a chance de cura é de 95%. Por outro lado, quando a descoberta é tardia essa taxa cai para 50%.

O Brasil já tem uma lei federal, a chamada Lei dos 30 dias, aprovada em 2019 (nº 13.896), que garante a realização de exames de câncer em até um mês, da data da suspeita da doença. A implementação dessa lei, aliada ao Outubro Rosa, campanha massiva para disseminar entre a população a importância dos exames periódicos, é o que pode fazer com que os casos do câncer que hoje mais mata mulheres no Brasil caiam significativamente.

O Outubro Rosa é uma campanha que começou nos Estados Unidos, na década de 1990, e desembarcou no Brasil em 2002. Em 2011, a campanha passou a incluir a prevenção do câncer de colo de útero e a atenção à saúde da mulher na totalidade.

Mas, apesar de campanhas e uma lei que garante celeridade no diagnóstico para que possa acontecer o início de tratamento o mais rápido possível, levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgado em 2022, mostra que o câncer de mama segue ocupando o primeiro lugar no país do câncer que mais mata mulheres (16,1% do total de óbitos por tumores malignos).

Outra pesquisa, divulgada pelo Datafolha no início do mês, revela ainda que o conhecimento sobre o câncer de mama é menor entre mulheres menos escolarizadas e das classes D/E. Entre as mulheres com nível superior, 78% se classificaram como bem-informadas, enquanto entre as mulheres com o ensino fundamental, apenas 64% se consideram bem-informadas. Na separação por classes econômicas, 85% das mulheres das classes A/B são classificadas como bem-informadas, contra 58% das que estão nas classes D/E.

O mesmo levantamento do Datafolha revelou que as mulheres pretas (28%) e pardas (33%) relatam mais dificuldade para obter informações sobre o câncer de mama do que as brancas (20%).

Esses são números que repetem outros absurdos decorrente dessa desigualdade, como o apresentado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado neste ano: dos 1.437 feminicídios que ocorreram no país, em 2022, 61,1% foram cometidos contra mulheres negras e 71,9% contra mulheres entre 18 e 44 anos”, lembra o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar. “Temos que quebrar essa rotina de discriminação em todos os âmbitos, e isso inclui a política de saúde, para termos uma sociedade mais justa e humana”, avalia.

Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos contra o Câncer confirma o prejuízo dessa desigualdade sobre a vida de mulheres negras. Levantamento feito pela ONG, e divulgado este ano, mostrou que, em média, as mulheres brancas levam 37 dias para obter a confirmação do câncer de mama. Entre as mulheres pretas e pardas, essa média é de 42 dias.

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